25/10/2017

Sem alfabetização não há como avançar

Posicionamento do Todos Pela Educação sobre os resultados da Avaliação Nacional da Educação (ANA)

João Bittar/MEC

Fonte: Todos Pela Educação

Até quando vamos tolerar que mais da metade das crianças brasileiras não estejam alfabetizadas? Que país é esse que não coloca como prioridade erradicar o analfabetismo? Qualquer debate sobre a qualidade da Educação Básica pública que queremos para o Brasil passa por uma alfabetização de qualidade, fundamental para que as crianças leiam e escrevam com autonomia e, assim, avancem ano a ano, usufruindo plenamente das oportunidades de aprendizagem dentro e fora das unidades de ensino.

Nesse sentido, os resultados da última edição da Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA) 2016 são imprescindíveis para discutirmos, às portas de mais um ano eleitoral, a gravidade de termos 54,7% das crianças com nível insuficiente de proficiência em leitura ao fim do 3º ano do Ensino Fundamental, quando grande parte dos alunos já está com 9 anos. Isso significa que elas estão partindo para o 4º ano sem conseguir, por exemplo, identificar relações simples de causa e consequência em pequenos textos. São crianças que já apresentam, de saída, um comprometimento da vida escolar e, consequentemente, de uma vida plena, autônoma e cidadã.

As consequências destes resultados para o país também são graves. Socialmente falando, estamos aceitando um quadro de estagnação no nosso sistema público de ensino, o que atinge diretamente a base para o desenvolvimento do País. Por isso, a alfabetização deve ser um compromisso de Estado, e não de governos.

Um cálculo do Todos Pela Educação a partir dos resultados da ANA 2016 e na variação observada entre as duas edições da prova mostra que, no ritmo que estamos seguindo, levaríamos, por exemplo, 76 anos para termos 100% das crianças proficientes em leitura ao fim do 3º ano. Ou seja: com esses passos de formiga, precisaremos de três quartos de século para sermos um País justo em termos de oportunidades educacionais básicas.

Os resultados da ANA mostram a urgência de darmos centralidade política para a Educação. É inadmissível que metade das crianças brasileiras não esteja alfabetizada ao final do 3º ano do Ensino Fundamental. Enquanto a política pública não responder a esse cenário, continuaremos sendo, para usar o mesmo vocabulário indicado na escala do MEC, um país insuficiente.